Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

Da porta na qual você não bate

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O mundo se abre para ser mudado por mim conforme meu corpo se entorpece. Você bateu na minha porta e fez os vizinhos barulhentos vibrarem e voltarem. Tudo de volta… A mesma estrada, sabe? As mesmas esperanças de sucesso contidas no meu ser. Não sei mais o que é essa vida que estava me esperando… Nem aquela música do Engenheiros me explica. Desamor demais pra minha mente. Daí surge a necessidade de te ver. Há poucas pessoas que me satisfazem, como aquela história dos cigarros raros que a gente encontra. Você me desperta sorrisos que fazem meu rosto se abrir inevitavelmente. You’re with me all the time. Você é do tipo de pessoa que eu quero de qualquer forma, desde que esteja ao meu lado, porque quando um cigarro é tão bom dessa forma, só o seu cheiro trazido pelo vento já me faz bem, e eu me controlo para segurar a vontade de traga-lo por completo e me afundar no vício. Mas você mesmo já me fala sempre  sobre o quanto vícios são enganos. Nada em excesso, seja você, cigarros ou bebida. Apesar de eu sempre ter conservado uma atração forte e explicita tanta pela sua alma quanto pelo seu ser reluzente, que se une quase perfeitamente aos meus ideais, sei me alimentar apenas pela luz que as suas palavras me dão, sem me afundar, sem quebrar barreiras e misturar duas tintas que originam uma cor que se apaga tão fácil.

O mundo se abre pra cuidar de mim e de você.

Não sei te convencer. Quero escrever com seu sangue velho nos meus cadernos enquanto tomamos um vinho chileno qualquer.

..

Tanto sua voz quanto seu sotaque grosseiro te trazem de volta ao meu quarto. Se eu pudesse, suas telas estariam inundando minhas paredes. Se eu pudesse, te traria aqui para pintar o apartamento inteiro, inundá-lo com a sua história. Psicanálise se abre como você em mim e como seus cigarros nos meus pulmões. Tudo é uma fantasia sequenciada por desastres e medo. Medo com letras esparsas dentro das suas telas. Seria eu parte do seu emaranhado de mercado? Suas histórias de 20 anos ou 20 cigarros atrás? Não tenho pelo que me imobilizar e bater palmas, não tenho a quem agredir. Eu sou sempre o meu e o seu alvo.

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Written by Ísis Amadeu

8 de outubro de 2015 às 20:20

Publicado em Uncategorized

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