Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

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o da estrada para assis.

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É como se eu estivesse numa estrada apavorante e ela estivesse engolindo todas as oportunidades antes que eu tivesse coragem de aceitá-las. dentro daquele estômago transparente eu via o absurdo no qual jamais me tornaria, porque sempre vou acabar sendo previsivelmente hesitante.
Quando voltava os olhos aos meus pés e minhas mãos arranhadas, percebia que a estrada havia sempre sido um pretexto e que as oportunidades, o mundo luminoso ainda existia dentro de mim, apesar da minha convicção de que não aguentaria o peso, embora eu não soubesse como afastar o vil e infame, haveria sempre um resquício do que o mundo quer que eu mostre, porque a vida vai além do intermédio, além do extremo, além dessa cidade, do equilíbrio, da segurança. a vida explode em cada canto; cada colapso é mais um chamado ao qual nós devemos nos entregar inadvertidamente.

coragem (?)

Mas eu não me apavorei. Era um estranho a mim mesmo. Um absurdo.  Uma improbabilidade falha.

Written by Ísis Amadeu

7 de novembro de 2011 at 18:53

essa dor, esse sangue nosso (o da centrífuga)

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tudo foi desintegrado, espremido. nesse momento de certeza da não-necessidade de tudo, só sobrou o calor, a tontura. me certifiquei de que meu coração batia. eu não tinha onde cair, mas não precisava ter.  minha carne iria apodrecer com ou sem morte. meu cérebro ficaria fraco, meu poros soltariam gases tóxicos, meus ossos seriam amarrados a pedras pontudas e usados como lanças. nada impediria a degradação.

é o calor, é o conjunto de improbabilidades complexas que nos cercam, o atrito das menores partículas existentes  que conspirariam e nos encaminhariam para a podridão ou glória.

“e quem não morreria
ao ver você tão linda no seu último olhar?”

caí numa centrífuga.

Written by Ísis Amadeu

4 de novembro de 2011 at 21:24

Publicado em Curtos, Texto

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