Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

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depois, marcelo, le deluge

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O problema, Marcelo, é que você não saberia o que fazer quando chegasse lá, no oeste ou em qualquer outro lugar para onde você queira ir. A visão da cidade ensolarada à beira do lago poderia te enlouquecer, te desapontar, te deixar sem objetivos, porque tudo o que você quer é chegar lá e deixar a cidade te mostrar o que fazer em seguida. E se isso não acontecer? Você nunca mais seria o mesmo, só sobraria o remorso de não ter descoberto nada além de um lugar que te fez delirar por esses dois anos. Você encontrará uma imagem, mas o Oeste de verdade, o Oeste que você têm procurado por esse tempo todo já está no seu sangue.  É a estrada que você deverá idolatrar, é a ela que você deverá sua paixão, seus medos e pensamentos absurdos.

Nós dois sabemos que o Oeste é um pretexto para fugir. É o mais fundo que você acha que precisa mergulhar. Mas até chegar, você estará satisfeito? E depois, Marcelo? E se tudo for igual ao que tem sido por aqui?

Eu queria ter coragem de te pedir pra ficar.

Written by Ísis Amadeu

15 de julho de 2013 at 2:57

pra Londrina.

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Toda viagem tem início assim. Asfixiante. Eufórica. De certa forma nauseante. Então é bem provável que você abra a janela e acompanhe o desenrolar da faixa amarela ou calcule mentalmente o caminho do banheiro mais próximo, se estiver num ônibus ou avião. Geralmente escolho dormir. O problema é que esse nervosismo me apavora. Já se sentiu tentado a desistir de algo grande? Sinto quase todos os dias que o impulso de fazer as malas e tomar o caminho oposto irá me dominar, mas seria como tropeçar em uma lata de tinta com suas roupas novas.

Já são dois meses nesse quarto.