Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

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Sou um pouco mais do que o que consigo conter. Devaneios, falta de lucidez.

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Quero me conter. Quero ser detida.
Sinto a necessidade de ser privada de
toda ideologia que se impregnou em mim
durante os últimos anos.

Quero ser vazia. Quero me sentir esvaziada e satisfeita.
Me arraste para a vala do contentamento
Me questione quando eu disser que vou em busca da verdade
quando eu ousar me revoltar
quando pensamento-crime já não for mais parte de um romance futurista

Me torture para que eu não o faça a sós
quando eu me recusar a respirar –
por desgosto ou falta de fé – desate o nó,
deixe ceder a lâmina da guilhotina.
Morrerei pelos ideais que nego em vida.

Me impeça, e eu serei imortal na tolice de deixar-me reprimir.
2 + 2 = 5, não é essa a liberdade pela qual sempre lutamos, a de concordar sem questionar?
Decorarei o que for ensinado, repetirei.
Me anule, me inutilize, me impeça de provocar reações.

Faça com que eu acorde sem pena do meu futuro. Me faça aceitar.

Me desafie.