Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

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Londres #3 – Os Colapsos

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Londres, eu prevejo colapsos,
eu prevejo finais.
Londres, eu tenho medo de me enterrar em um novo grande perigo.
Porque, minha amiga, você já me trouxe 4 grandes decepções, então entenda,
já estou farta de desespero.
Até quando terei que fingir não escutar meu coração martelando desenfreadamente
ao ouvir seus passos no corredor?
Sempre que eu sinto você se aproximar com os dias,
sempre que me sinto como sendo sugada em sua direção, Londres,
eu me sinto mais morta, menos eu
e me sinto mais livre de pesos passados
sinto um maior frescor diante da liberdade.
Mas o que dizer das intensas e recentes felicidades
que têm feito minhas noites explodirem?
Eu prevejo uma nova depressão, Londres.
Prevejo mais uma grande queda,
caminho com cuidado porque sei que a qualquer momento tropeçarei.
Você ainda me faz de amante
e ainda me ignora da mesma forma vazia do último inverno.
Nós sabemos que, para mim, seria impossível te deixar
por favor, não abuse mais deste fato.
Não se torne mais uma das minhas tentações perigosas.
É pesado me dividir entre dois caminhos tão impossíveis de serem balanceados,
uma cidade com um inverno de morte, e outra com contínuas noites de verão
e pedaços de manhãs sonolentas escorrendo pelas janelas.
Estanquei no caminho.
Um universo de intrigas queima aos poucos na minha mão.
Tenho sérios problemas com não saber esperar
e ao mesmo tempo esperar pequenos futuros desfavoráveis fugindo do meu controle.
Tenho medo de me decepcionar novamente quando chegar a hora e o fim.
Tenho medo de atravessar o caminho do lago congelado novamente com lágrimas geladas nos olhos,
com a direção voltada ao vidro embaçado como se assim pudesse ignorar o mundo,
como se fosse refletida a imagem de todos os dias que me trouxeram aquela satisfação do antes de dormir,
de desabar na cama e perder a consciência,
de ter a noite passada como um quebra cabeça mental com peças que se perderam pela casa
e que aparecem aos poucos, na escrivaninha, no canto do sofá, debaixo da cama, no seu reflexo no espelho do banheiro,
mas nunca chegamos a encontrar todas as peças para montar a imagem completa.
Algumas coisas são vividas, e é só.
Não devem durar, não devem trazer remorso, devem ficar guardadas porque, Londres,
esses dias vão acabar, e a imagem incompleta vai me quebrar os olhos pela quinta vez no último ano.

Written by Ísis Amadeu

8 de fevereiro de 2014 at 13:05

pra Londrina.

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Toda viagem tem início assim. Asfixiante. Eufórica. De certa forma nauseante. Então é bem provável que você abra a janela e acompanhe o desenrolar da faixa amarela ou calcule mentalmente o caminho do banheiro mais próximo, se estiver num ônibus ou avião. Geralmente escolho dormir. O problema é que esse nervosismo me apavora. Já se sentiu tentado a desistir de algo grande? Sinto quase todos os dias que o impulso de fazer as malas e tomar o caminho oposto irá me dominar, mas seria como tropeçar em uma lata de tinta com suas roupas novas.

Já são dois meses nesse quarto.