Sobre um tempo que já morreu

(sur un temps qui est mort).

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(carnaval)

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É feriado de carnaval. Acordo com os cachorros latindo.
Eu queria poder guardar um sonho na memória para sempre sem ter que escrevê-lo em algum lugar. O melhor dia da minha vida foi um desses sonhos que eu só me lembro vagamente.
Meus maiores segredos se perdem com tanta facilidade entre a caneta e o primeiro estresse da manhã.

Pego uma caneta:

“nós nos beijamos
com caneta azul
e sanidade
nas mãos
um sorriso inadiável
de saudade

o que eu escrevo poderia virar realidade, não é?”

Mas agora eu passei a sonhar com tanta falta de esperança, na vida, em nós e em todo mundo que parece não ter nada lá dentro, gente que parece não amar ninguém. Eu começo a me sentir assim. Só tenho esses sonhos e o toque de uma pele que eu não conheço mais. Mas mesmo com todos os carnavais e todos os latidos, eu vou lembrar da sua mão na minha nuca.

(2010)

até que o marinheiro volte.

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Milhares de palavras me cercavam e eu não sabia quais usar. Poderia falar sobre a forma como ele segurava a taça e como isso nos calava por alguns instantes focando as interrogações nos olhos, os olhares que nenhum dos dois sabia interpretar. Desdém, desejo. Poderia falar como algo além da música nos unia e como cada sorriso das manhãs domingueiras e esbranquiçadas me fazia feliz, mas não consegui achar palavras menos corriqueiras e houve mais silêncio

(e haverá
até que o marinheiro volte).

.

2010.

Written by Ísis Amadeu

29 de julho de 2013 at 4:19